O custo de abrir os portões e a necessidade de estádios adequados

Por Higor Maffei Bellini



Abrir os portões de um estádio, para receber uma partida oficial, não é apenas um gesto simbólico. Trata-se de um custo operacional concreto e recorrente que pesa sobre qualquer clube, independentemente do país ou da divisão.

A segurança dos times e dos torcedores, a iluminação, limpeza, equipe de portaria, manutenção das instalações, seguros e toda a logística associada ao público geram despesas que precisam ser seriamente consideradas na gestão financeira., de um clube que é o mandante.

Essa realidade explica por que clubes de futebol, em especial, com melhor estrutura de gestão e maior solidez financeira, tenderão a investir em um segundo estádio ou em arenas de menor porte, sejam próprios ou alugados, para receber os jogos das equipes femininas e das categorias de base.

A lógica vale tanto para o futebol masculino quanto para o feminino. O estádio principal, projetado para grandes públicos e altas expectativas de conforto, muitas vezes se torna economicamente inviável quando a média de público presente nos jogos é significativamente menor, do que o esperado.

A estrutura precisa receber bem o torcedor. Isso inclui acessibilidade, segurança, qualidade dos vestiários, condições de campo e experiência geral do espectador. Porém, essas exigências devem ser dimensionadas de forma realista. Um estádio pensado para 40 ou 50 mil pessoas, quando recebe regularmente 1.500 ou 3.000 torcedores, gera desperdício de recursos e pode até prejudicar a percepção de valor do produto esportivo.

Do ponto de vista da gestão, a solução passa por adequar a infraestrutura ao público médio esperado.

Um estádio secundário ou uma arena modular permite reduzir custos fixos, melhorar a experiência do torcedor (que se sente mais próximo do jogo) e, ao mesmo tempo, cumprir obrigações legais e regulamentares de segurança e acessibilidade. Em termos jurídicos, a responsabilidade do clube e dos organizadores permanece a mesma: garantir condições adequadas de segurança e bem-estar, independentemente do tamanho do público. A diferença está no dimensionamento inteligente dos recursos.

Para as equipes femininas e de base, essa adequação tem impacto direto na sustentabilidade do projeto. Custos elevados de operação podem comprometer a continuidade de competições e o desenvolvimento de atletas.

Clubes que conseguem separar a operação do estádio principal da operação das categorias de menor público demonstram maturidade de gestão e maior capacidade de planejamento de longo prazo.

Em resumo, o custo de abrir os portões deve ser tratado como variável estratégica, e não apenas operacional. Clubes com melhores condições financeiras e de gestão entenderão que a solução não é forçar a ocupação do estádio principal a qualquer preço, mas criar estruturas adequadas, igualizadas e ajustadas ao público real de cada equipe. Isso vale para o futebol masculino, para o feminino e para as categorias de base.

A eficiência na gestão de infraestrutura é, cada vez mais, um diferencial competitivo e uma questão de responsabilidade administrativa e jurídica.

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