Por Higor Maffei Bellini
A realização de uma grande competição de futebol não deve provocar a paralisação das outras modalidades esportivas no país anfitrião.
Um exemplo ocorreu durante o Mundial de Clubes de 2025, disputado nos Estados Unidos entre 14 de junho e 13 de julho. Nesse período, outras competições continuaram normalmente, mostrando que diferentes esportes podem compartilhar o calendário e atender a públicos variados.
O basebol é uma demonstração clara dessa convivência. A temporada regular de 2025 da Major League Baseball começou em 27 de março, quase três meses antes do início do torneio de futebol, e continuou durante toda a competição. Portanto, quem estava nos Estados Unidos e não desejava acompanhar o Mundial de Clubes podia assistir a partidas de basebol e conhecer uma parte importante da cultura esportiva norte-americana.
A chegada de muitos turistas para uma Copa é positiva. Ela movimenta hotéis, restaurantes, transportes, lojas e outros serviços, além de divulgar internacionalmente as cidades anfitriãs. Entretanto, nem todos os visitantes conseguem comprar ingressos para os jogos.
Alguns viajam apenas para sentir o ambiente do evento, acompanhar amigos ou participar das atividades realizadas nas cidades.
Por isso, é importante oferecer outras opções de lazer, cultura e esporte. Partidas de basebol, basquete, hóquei, voleibol ou outras modalidades podem tornar a experiência dos turistas mais completa. Museus, parques, espetáculos, feiras culturais e áreas de convivência também ajudam a distribuir os visitantes por diferentes regiões e estabelecimentos.
Essas alternativas são igualmente importantes para a população local.
Nem todos os moradores gostam de futebol ou desejam participar das concentrações de torcedores. A presença de grandes grupos reunidos para apoiar uma seleção ou um clube pode causar barulho, trânsito intenso, superlotação e mudanças temporárias na rotina dos bairros.
Os moradores devem ter o direito de procurar espaços mais tranquilos e atividades diferentes. Manter outros eventos em funcionamento evita que toda a cidade seja organizada exclusivamente em torno da Copa.
Também permite que atletas, trabalhadores e torcedores de outras modalidades continuem com as suas atividades.
Sediar uma competição mundial não significa transformar o futebol na única opção disponível. Um país verdadeiramente esportivo é aquele que recebe bem os visitantes, respeita os moradores e oferece alternativas para todos, inclusive para quem não possui ingresso ou simplesmente não deseja acompanhar os jogos.
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