Estamos descobrindo que torcer para SAF é torcer para uma empresa

A atual crise que atingiu a SAF do Botafogo expôs um quadro que combina desequilíbrios econômicos, dificuldade operacional e desgaste institucional.

Noticiou-se a existência de atrasos em direitos de imagem e benefícios de atletas, ordem de cortes internos nos departamentos e um transfer ban imposto pela FIFA por pendências na contratação de Thiago Almada, o que, por consequência, bloqueou registros de novos reforços e ampliou a sensação de desorganização.



Os efeitos atingiram a base, o staff e o próprio ambiente do futebol profissional, gerando desconforto interno e instabilidade administrativa.

Em paralelo, cresceu o mal-estar externo. Torcedores picharam muros do CT com mensagens de cobrança e hostilidade. Os organizados se reuniram com diretores da SAF e divulgaram notas com exigências formais de transparência e planejamento. Além disso, houve protestos antes de partidas no Estádio Nilton Santos.

A pressão não se limitou à arquibancada.

Comentaristas esportivos passaram a questionar a capacidade de execução da SAF, apontando falta de clareza nos fluxos financeiros e fragilidades no modelo de governança. John Textor, por sua vez, tentou responder às críticas com falas públicas, sinalizando negociações para aportes e pedindo confiança, mas sem dissipar completamente a percepção de incerteza.

Esse conjunto de fatos é a razão de ser da crescente consciência, entre setores da torcida, sobre os limites estruturais do modelo SAF.

Em síntese: parece que os torcedores brasileiros estão aos poucos entendendo que, com raras exceções, os donos das SAFs não são torcedores, mas pessoas que ali estão para fazer negócios e ganhar dinheiro com os clubes, não para os clubes.

Torcedores, acostumem-se: hoje vocês torcem por SAFs, que são empresas com donos que podem ter interesses diferentes daqueles da torcida.

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